Metamorfose | Kafka

A metamorfose de Kafka e as inúmeras possibilidades de interpretar essa leitura!

Eis um clássico da literatura mundial cuja leitura é prazerosa, reflexiva e atemporal! Ao longo dos meus 37 anos, pelo menos 30 deles dedicados à leitura, o livro A Metamorfose do escritor tcheco Franz Kafka (1883-1924), clássico dos clássicos, já passou pelas minhas mãos inúmeras vezes, e até então nunca havia despertado meu interesse.

Fato é que, em pleno janeiro do ano de senhor 2021, recém chegado, decidi entre metas de leitura justamente ler mais clássicos e de preferência zerar minha montanha de livros não lidos… A Metamorfose foi minha segunda e agradável leitura do ano.

E, que leitura interessante! Legal mesmo! Nada do que eu esperava, a começar pela linguagem simples e direta. Uma narrativa criativa e estimulante com margem para diversas interpretações e sentimentos, principalmente nesse momento de pandemia, isolamento social, intensificação das relações parentais, trabalho em casa, todo mundo preso sendo praticamente obrigado a fazer o simples e inédito hábito de conviver…

Para quem ainda não conhece, A Metamorfose conta a história do caixeiro viajante Gregor, que leva uma vida agitada, repleta de muitas viagens para garantir o sustento da família. O protagonista sofre com o excesso de trabalho, frustração, pressão que a profissão e a família lhe impõe.

Certo dia, ao acordar, se dá conta de que está se transformando em um inseto… E descreve minuciosamente esse processo para o leitor, compartilhando sua agonia e até felicidade com o momento. Mas enquanto Gregor se estrebucha na cama, do lado de fora a família e o chefe usam vários artifícios para fazê-lo sair sair do quarto e cumprir sua obrigação, trabalhar e prover o conforto dos seus!!

Durante essa transformação, Gregor reflete sobre sua vida, seus dilemas e até cogita como seria bom ficar um pouco mais na cama e desfrutar o sossego, mas… A pressão do lado de fora só aumenta e quem sabe ele se revelando, eles compreendem o que está se passando com ele. Espera-se empatia, ajuda… mas quando isso ocorre, já com a forma de inseto totalmente completa, o choque inicial é normal, porém, a família está mais preocupada com a perda da força de trabalho de Gregor do que com a compreensão do que, de fato, está lhe ocorrendo.

E, de repente, a família que até então estava falida, motivo para Gregor trabalhar tanto, na verdade tem uma poupança para se virar por algum tempo. Aquele parente que não aguentava mais trabalhar, de repente não apenas tem força como motivação para isso. E Gregor segue se adaptando à vida de inseto habitando seu quarto.

Em nenhum momento o núcleo familiar busca ajuda para Gregor ou tenta entender o que houve. Como assim? Do nada um parente seu sofrer essa transformação e tudo bem? Isolá-lo parece ser a melhor opção… E assim o fazem, seguindo com suas vidas plenamente. Os papéis de provedor e parasita se invertem literalmente.

Enquanto isso, a mente do leitor funciona a todo vapor para destrinchar essa história e as teorias vão se formando.

Sabe aquele ditado que diz que a leitura te faz viajar sem sair do lugar? Essa é a sensação que a leitura de A Metamorfose, escrita em 1915, proporciona. São múltiplas interpretações e encaixes precisos na realidade de cada um. Gostei muito!

Estamos na virada de um ano difícil (2020/2021), com perspectivas renovadas e problemas antigos, nesse contexto, uma metamorfose não seria nada mal!

Me diga, qual metamorfose você realizaria em sua vida hoje?

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