15 livros nacionais para ler antes de morrer

São 15 dicas de leitura de livros nacionais, clássicos, aclamados no Brasil e no exterior. 

Dia primeiro de maio é a data escolhida para homenagear a literatura brasileira. Você sabe porquê? Foi quando nasceu o escritor José de Alencar, um dos maiores expoentes do romantismo no Brasil.

Alencar é uma figura que desperta controvérsias históricas (seria, ou não, o autor, escravocrata?) porém, contudo, é inquestionável sua importância para a produção literária do país. O autor defendia uma literatura apegada a aspectos sócio-culturais que refletissem aspectos das terras tupiniquins.

Para comemorar a data preparamos uma lista com 15 obras, de escritores e escritoras brasileiros, que trazem um pouco da nossa rica tradição literária.

Na lista: poesia, contos, romance, prosa-poética e um quadrinho.

15 – Senhora | José de Alencar (1829 – 1877)

Começamos com José de Alencar! Senhora é um dos mais importantes títulos do autor. Traz como protagonista uma mulher forte, feminista, que sabe o que quer. 

Confira a sinopse: Aurélia, uma moça com poucos recursos financeiros, deseja se casar com o namorado Fernando Seixas. Ele, porém, vê no casamento com outra mulher a chance de ascender socialmente e termina com a moça. Mas acontece um plot twist: Aurélia recebe uma herança do avô e passa a ser vista como um bom partido, enquanto Fernando se encontra em uma situação precária. Ao saber que seu antigo pretendente está em maus lençóis, a moça arquiteta uma vingança.

14- Da Poesia | Hilda Hilst (1930 – 2004)

Da Poesia reúne toda a obra poética de Hilda Hilst, uma das vozes mais transgressoras da literatura nacional. Hilst escreveu ficção, crônicas e peças de teatro, mas, foi pela poesia que a autora começou a traçar seu caminho através da escrita.

13- Vidas Secas | Graciliano Ramos (1892 – 1953)

O livro retrata a árida vida de uma família de retirantes sertanejos que, de tempos em tempos, precisam se mudar à procura de lugares menos castigados pela seca e mais permeáveis a sobrevivência. A narrativa nos apresenta um dos mais icônicos personagens de nossa literatura: Baleia, a cachorrinha.

12- Feliz Ano Novo | Rubem Fonseca (1925)

Rubem Fonseca não tem papas na língua, sua literatura é bruta e crua. O livro de contos, Feliz Ano Novo, retrata questões como a violência urbana e realidades marginalizadas. A obra teve publicação e circulação proibidas em 1976, por decisão do Ministro da Justiça, Armando Falcão. A justificativa? O livro teria conteúdo contrário “à moral e aos bons costumes”.

11- O livro das Ignorãças |Manoel de Barros (1916 – 2014)

Manoel de Barros é o poeta da simplicidade. Como Guimarães Rosa, ele reinventa a linguagem. No Livro das Ignorãças, Manoel demonstra sua necessidade de enlouquecer a língua, tirando-a do lugar comum. E é pelo estranhamento dessa nova linguagem que ele se aproxima da essência das coisas, reinventando a palavra, ele reinventa o mundo.

10- Memórias Póstumas de Brás Cubas | Machado de Assis ( 1839 – 1908)

“Ao verme que primeiro roeu as frias carnes do meu cadáver dedico como saudosa lembrança estas memórias póstumas.” Essa é, provavelmente, a dedicatória mais famosa da literatura brasileira. Memórias Póstumas de Brás Cubas foi um livro pioneiro à época por não ser escrito de forma linear: o livro começa no fim. É Brás Cubas, já morto, quem nos conta sua vida.

9- Daytripper | Gabriel Bá e Fábio Moon (1976)

A HQ, escrita e ilustrada pelos irmãos Moon e Bá, já recebeu o prêmio Eisner! Premiação de reconhecimento internacional, o Eisner é uma espécie de Oscar dos quadrinhos.

O protagonista da história se chama Brás de Oliveira Domingos (nome emprestado de  Brás Cubas) e morre várias vezes ao longo da narrativa. O relato é belamente contado através da união entre palavras e imagens, compondo uma narrativa que se debruça sobre temas universais.

8- Antologia Poética | Carlos Drummond de Andrade (1902 – 1987)

Drummond dispensa apresentações, né? O mineiro tem uma extensa obra poética que toca em diversas questões: sociais, existenciais, metalinguísticas, etc. O livro Antologia Poética foi organizado pelo autor, que dividiu os poemas em nove grupos com características que identifica como importantes ao olhar para o conjunto de sua obra.

7- Felicidade Clandestina | Clarice Lispector (1920-1977)

Clarice Lispector é uma das escritoras de maior destaque no cenário nacional. Conhecida por sua prosa impactante, profunda e intimista – que parece olhar dentro da gente. Nos contos de Felicidade Clandestina ela se debruça com maestria sob diversos temas: infância, velhice, sexualidade, cotidiano, o amor pela literatura, relacionamentos, etc.

6- Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada | Carolina de Jesus (1914 – 1977)

Em o Quarto de Despejo, Carolina de Jesus relata seu cotidiano como mãe de três filhos, catadora de papel e residente da comunidade do Canindé, em São Paulo. Diário transformado em livro, a narrativa é contundente e realista. Leitura obrigatória para entender a realidade de milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha da pobreza.

5- Vermelho Amargo | Bartolomeu de Campos Queirós (1944 – 2012)

Bartolomeu Campos de Queirós, revive, em uma belíssima prosa poética, dores experimentadas na infância. A morte da mãe, a relação difícil com a madrasta, e a solidão do menino, são alguns dos temas do livro.

4- O pirotécnico Zacarias | Murilo Rubião (1916 – 1991)

Murilo Rubião é um dos expoentes nacionais do realismo fantástico. O escritor  tem uma obra curta porque seus contos eram polidos e escritos a perfeição. Em o Pirotécnico Zacarias, adentra-se em um labirinto: Os contos fazem a cabeça do leitor girar, e abrem diversas possibilidades interpretativas.

3- Capitães de Areia | Jorge Amado (1912 – 2001)

Censurado pelo Estado Novo, a primeira edição deste livro, datada de 1937, foi apreendida. O livro, junto com outros do autor, chegou a ser queimado em fogueira feita a poucos passos do Elevador Lacerda, em Salvador. A justificativa adotada foi a mesma do golpe dado por Vargas: combate “ao credo vermelho”. O livro documenta a vida de meninos de rua na capital Baiana.

2- Ana Terra | Érico Veríssimo (1905 – 1975)

Em meio a conflitos – com os índios e os castelhanos – estão os Terra. Tirando o sustento do plantio e se isolando, o tanto quanto podem, do mundo. Até que Ana Terra, a filha mais jovem da família, encontra um índio mestiço seriamente ferido. A partir desse acontecimento a rotina da família é drasticamente transformada.

1 – Grande Sertão Veredas | João Guimarães Rosa (1908 -1967)

O bando de Joca Ramiro procura vingança após ele ter sido assassinado por meio de traição. Para tal, eles precisam atravessam o sertão. O protagonista, o jagunço Riobaldo, experimenta nesse período vários conflitos (internos e externos) e um deles é o sentimento de afeição profunda que surge em relação a seu companheiro, Reinaldo.

Mesmo aqueles que carregam trauma da literatura brasileira desde as leituras obrigatórias da escola dos anos 80 e 90, experimente dar uma chance a algum desses livros nacionais. 

Veja bem, não estamos desejando a morte de ninguém, apenas dando uma forcinha para quebrar preconceitos e valorizar o que é nosso! 

Para quem já é fã da literatura brasileira, concorda com a lista? Qual livro você indicaria?

O texto foi uma gentil contribuição da jornalista mineira, Selene Machado. 

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comentários

7 Replies to “15 livros nacionais para ler antes de morrer”

  1. Oi, adorei as indicações e li senhora, capitães da areia e Vidas secas. Acho válido ser feita uma listinha de nacionais mais atuais porque tem muita coisa boa saindo no mercado.

  2. Olá!
    Olha, pra ser bem sincera, eu não gosto de ler livros mais antigos, não é pq acho ruim, mas pq a escrita me incomoda. Eu tentei ler Memórias Póstumas de Brás Cubas e não abandonei, apesar de querer tentar novamente. Mas, infelizmente, eu corro um pouco de algumas dessas leituras.

  3. Amei as dicas! Da lista eu já conheço vários autores, como o próprio José de Alencar, do qual já li vários livros, sendo o meu preferido Lucíola. Também sou apaixonada por Machado de Assis, mas meu livro favorito dele é Dom Casmurro, embora também aprecie Memórias Póstumas de Brás Cubas. Também já li obras da Hilda Hilst e Clarice Lispector, que utilizavam tão bem o recurso do fluxo de consciência. A sua lista está recheada de grandes autores e obras inesquecíveis!

    Bjs!

  4. Vou ler muitos desses livros na graduação de letras, principalmente os clássicos, sou apaixonada por Vidas Secas e Capitães de areia, são livros que me transformaram, assim como Quarto do despejo, caso nao tenha lido, recomendo diário de bitita, da mesma autora, você vai se apaixonar. Adorei as indicações!

  5. nossa, que lista maravilhosa. li boa parte dela e se fosse fazer uma lista semelhante, certamente estariam entre os preferidos… Ainda preciso ler Ana Terra, Vermelho amargo, Felicidade Clandestina, Quarto de Despejo, Grande Sertão: Veredas e o de Murilo Rubião. Os demais, lidos e queridos <3

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