Suicidas: surpreenda-se com o primeiro romance de Raphael Montes

Quais os motivos de nove jovens de diferentes classes sociais e pensamentos, mas que têm uma relação, mesmo que superficial, se reunirem em um porão para cometer suicídio jogando uma roleta russa? Será que existem mesmo motivos? Em ‘Suicidas’, primeiro livro do autor carioca, Raphael Montes, esse tema polêmico é o que norteia uma história alucinante, cheia de reviravoltas e que faz o leitor não querer parar de ler.

Suicidas é um livro diferente, que se passa em três espaços de tempo, brilhantemente intercalado entre os capítulos. A história é narrada em primeira pessoa por Alessandro, que nos apresenta dois momentos: os acontecimentos antes e durante a roleta russa. O terceiro momento se passa durante uma reunião das mães na delegacia, onde o livro escrito pelo Ale e lido pela delegada Diana.

A história é bem amarrada, cada acontecimento é importante para que o leitor desvende o que realmente está acontecendo, mas isso não é uma tarefa muito fácil. Se você ainda não leu esse livro, que em minha opinião é o melhor do autor, vou te contar uma coisa: Suicidas é um livro com personagens ricos, de personalidade ruim, verdadeiros ‘carne de pescoço’ como disse uma amiga que também leu. Mas o mais interessante é que o livro foi escrito pelo autor entre seus 16 e 19 anos. É incrível pensar que um garoto nessa idade teve tanta audácia de retratar numa história acontecimentos tão chocantes, muitas vezes repulsivos, mas de uma forma genial.

Mas vamos ao que interessa, vamos falar um pouco da história em si. Os acontecimentos se passam no Rio de Janeiro.  Alessandro (Alê) é um garoto de classe média, muito amigo de Zac, um menino milionário, descrito pelo autor como um ‘Deus grego’.  Zac é do tipo de garoto que consegue tudo o que quer, desde as mínimas vontades até as mulheres que qualquer garoto sonharia, diferente do Ale que é um nerd. Além deles, os outros personagens também são bem estereotipados: Ritinha é a gostosa pouco inteligente, Waléria é a gorda, Noel o feio que morre de amores pela gostosa, Maria João é a feminista, seu irmão Lucas, o gótico suicida, Otto, o gay e Dan, o garoto com síndrome de down. Sim, não se assuste: um garoto com síndrome de down também faz parte do grupo de suicidas. Como e porque ele foi parar lá eu não vou te contar…

Apesar dos clichês descritos acima, o autor faz do leitor o que quer durante a história. Você confia em alguns personagens, toma as dores de outros, sente raiva de alguns e, no final, se surpreende com o que acontece como acontece e porque acontece. Acredite quando digo, o final do livro vai deixar você totalmente de queixo caído, segurando o livro com os pés, porque com as mãos você vai estar aplaudindo.

 

O Raphael Montes é o nosso autor do mês de novembro. Veja mais aqui!

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