Wicked – Gregory Maguire

Wicked, uma fantasia de qualidade, com algo a mais do que um universo mágico.

Descobri Wicked em um vídeo da Tati Feltrin no youtube já faz algum tempo, porém não encontrei nenhuma versão em português para que eu pudesse ler. Mas, depois de uma longa busca, finalmente uma editora resolveu relançar o livro por aqui. A Leya aproveitou o boom do musical no Brasil e trouxe a história da Bruxa Má do Oeste em uma edição muito linda.

E você passa a vida toda acreditando que a Bruxa Má do Oeste é uma pessoa horrível que perseguiu a Dorothy por Oz, mas um dia um livro há muito esquecido no Brasil te mostra que a bruxa pode ser apenas um pessoa incompreendida.

A primeira coisa que todo mundo precisa saber antes de pegar “Wicked” para ler, é que é um livro de fantasia adulto, mesmo se tratando da história dos personagens de “O Mágico de Oz”. A história da bruxa vai ser bem pesada e vai abordar temas delicados, mas o livro trata-se principalmente de uma crítica política, quase uma distopia.

O livro é dividido em cinco partes, a primeira, Munchkins, vai contar o nascimento da Elfaba e sua infância. Vamos conhecer os pais dela, em que temos uma mãe adúltera e um pai que é um líder religioso decadente. A segunda, Gillikins vai retratar a vida dela na universidade de Shiz e como ela conheceu a bruxa boa, Glinda.

Já a terceira parte, destaca “A Cidade das Esmeraldas”, quando ela é uma jovem rebelde que luta por seus ideais. Em seguida, é a vez de “ Nos Vinkus”, quando ela vai em busca de perdão e redenção depois dos seus dias de militância. E por fim, assassinato e a vida após a morte, que apresenta o encontro da bruxa com a Dorothy.

A escrita do Gregory Maguire é muito deliciosa e quando você pega o ritmo, não consegue mais parar. Claro, que os primeiros capítulos são mais arrastados, afinal, estamos sendo introduzidos naquele universo e algumas explicações têm que ser dadas, mas com o tempo você se acostuma com tudo e se envolve com a história.

As personagens do livro são muito bem construídas, mas a estrela de Wicked é a Elfaba, uma personagem feminina forte, que se incomoda com as injustiças, não se cala quando precisa reivindicar, que luta por seus ideais, mas ao mesmo tempo é uma mulher atormentada pelo escárnio e o desprezo que lhe dedicaram, apenas por ela ser diferente. Temos várias personagens interessantes, Glinda a patricinha arrogante, Nessarose a falsa santa, Fiyero o príncipe infeliz no casamento arranjado, Boq e suas paixões, Liir a criança que só quer ter um pai. Todos cheios de camadas bem amarradas.

O livro tenta explicar a origem do mal, mas acredito que não foi só isso, ele explicou sobre incompreensão, preconceito, a indiferença e a manipulação. Elfaba não foi a origem do mal, mas todos que estavam à sua volta sim.

Gostei muito do livro e espero que a Leya lance as continuações aqui no Brasil, porque quero muito ler “Son of the Witch” e descobrir o que aconteceu com o Liir. Fantasia de qualidade, com algo a mais do que um universo mágico. Já quero ver o musical, mesmo sabendo que ele se distancia do livro.

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