O exorcista – William Peter Blatty

“O Exorcista” é daqueles livros que sempre está na lista de leituras, mas que frequentemente é deixado de lado ou por medo ou por acreditar conhecer toda a história. Eu era uma das que tinha as duas razões para evitar a leitura do livro de William Peter Blatty, porém estava extremamente enganada.

O enredo do livro é conhecido por todos, uma garotinha de 12 anos é possuída por um demônio e se transforma em um ser assustador, dois padres são convocadas para ir até a sua casa expulsar a entidade do seu corpo. Entretanto, mesmo levando o título de “O Exorcista”, o livro não vai abordar apenas da possessão e do ritual de expulsão. Diferente do filme de 73 o romance não se trata apenas do terror, mas de questões mais profundas como a culpa e a fé. Todos envolvidos na trama em algum momento vão demonstrar ou falar sobre sua culpa.

A escrita de William Peter Blatty é maravilhosa, transformou uma história clichê dos filmes de terror, em uma verdadeira obra prima da literatura. O livro é bem construído, tem belos diálogos e a trama se desenrola muito bem. Sem termos um ritmo arrastado, a história flui muito bem.

Durante a leitura, mesmo dando vários indícios da possessão de Regan, o autor em diversos momentos desacredita a menina, deixando o leitor em dúvida se a garota está possuída ou está apenas simulando tudo aquilo em busca de atenção ou por ter sido influenciada por algumas informações que conseguiu. E isso traz um “quê” a mais para a história. Outro ponto forte da escrita de William são as metáforas que ele utiliza, uma em especial me encantou, quando ele descreve a falta de fé do Padre Karras, dizendo então que o sangue virou vinho.

As personagens do livro são bem construídas, mas os principais da história, são a criatura Regan e o Padre Karras. O segundo, sendo meu preferido, por ter uma  história de vida triste e uma personalidade em várias camadas. Ele é padre e psicólogo, então a fé e a ciência andam de mãos dadas dentro dele. Pra mim a trama na verdade é sobre ele, não o exorcismo em si.

Mesmo sendo considerado um romance do gênero de terror, o livro não é tão assustador. Como eu disse, o autor em diversos momentos desacredita os fenômenos paranormais. Mas seria mentira de minha parte se não contasse que em vários momentos tive aquela sensação de medo. Um livrão que precisa ser lido e que é muito mais que garotinhas revirando olhos, vomitando gosma verde e girando a cabeça. É um romance tão bem construído que quando você acabar de ler vai ficar na sua cabeça, não pelo medo, mas pelos pequenos questionamentos. Um livro incrível.

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