Um dos momentos mais esperados por muitas mulheres ainda é o casamento. Igreja decorada, vestido branco, padrinhos, e claro, o noivo no altar. Mas se tem uma coisa que ninguém nunca espera é que algo possa sair errado em um dia tão especial como esse, não é mesmo? Mas o pior é que às vezes acontece! E, no thriller policial “O Casamento’, do escritor paulista Victor Bonini, vemos que um lindo casamento pode reservar surpresas trágicas, daquelas características de um filme ‘Tarantinesco’ .

Em seu segundo romance, Bonini nos apresenta a história de Plínio e Diana, dois jovens muito diferentes e com famílias tão diferentes quanto. Os dois se conheceram em meio a uma situação muito bizarra e constrangedora, mas por incrível que pareça, se tornaram amigos e depois, namorados. Para muitos, inclusive a própria família dos jovens, o relacionamento não se prolongaria por muito tempo, contudo, contra todas as previsões, os noivos chegaram ao ‘grande dia’.

Em um luxuoso hotel-fazenda no interior de SP, os noivos recebem todas as suas centenas de convidados para o grande dia e também para aproveitar o feriado prolongado na faixa. Mas, nada seria assim tão legal como parece ser. Só posso adiantar que assassinatos não são apropriados para casamentos.

Conrado Bardeli, o detetive e protagonista da história se encontra no hotel não somente por ser um amigo de longa data do pai da noiva, mas também por estar trabalhando em uma investigação de chantagem contra um dos convidados do aguardado casamento.  Ele observa tudo e todos e, aos poucos, vai notando que os convidados que se divertem na pré-festa, são muitos estranhos, e, claro, muitos aparentam esconder algum segredinho sórdido, ou não ser bem aquilo que insistem parecer.

Mais uma vez Victor trouxe esse detetive que já é um dos meus queridinhos. Bardeli é astuto, altamente perceptivo, usa seus métodos nada ortodoxos (adoroooo), não é ético quando não dá pra ser na busca por descobrir a verdade, está sempre ligado em fatos que nós, leitores, não nos ligamos na maioria das vezes, e aí, do nada ele esfrega na nossa cara um monte de fatos e nos faz ficar pensando: ‘Meu Deus, como eu não percebi isso’! Coisa que eu, particularmente adoro. Lá no fundinho a gente gosta de ser enganado pelos fatos rsrsrsr. Além disso, ele é incansável, enquanto não descobrir, ele não sossega. Mas a característica do detetive que eu mais gosto, de longe, é seu humor ácido.

O livro é narrado em terceira pessoa, mas sempre que necessário é introduzida a voz de algum personagem para que tenhamos acesso a outro ponto de vista importante para a história. A narrativa é subdividida em grandes partes: ‘A Solenidade’, ‘A Arrumação’, ‘Felizes para sempre’ e ‘Até que a morte nos separe’. Além disso, o livro também nos situa no tempo, para que possamos saber quando fatos passados aconteceram. Isso, parece ser uma característica dos livros do Bonini, pois seu primeiro romance, ‘Colega de Quarto’ é feito da mesma forma. Aliás, você pode conferir a resenha aqui.

Mais uma vez o autor consegue criar uma trama que é absolutamente fluida, rica e bem aprofundada. Seus personagens são muito bem descritos em suas essências, que vão desde as melhores características, até os podres mais estranhos. À medida que vão sendo apresentados mais e mais segredos, vamos ficando cada vez mais confusos. Ficamos tentando criar inúmeras teorias que acabam não dando em nada. Quando mais a gente se embrenha na história, mais a gente percebe que não vamos ser capazes de desvendar o segredo antes do detetive.

‘O Casamento’ é um livro em que Victor Bonini resgata com muito mérito as características do bom e velho thriller investigativo de detetive. Vale a pena cada página, cada tempinho que passamos lendo essa história, empolgante e viciante.

Victor Bonini é nosso autor do mês de abril. Clique e confira uma entrevista exclusiva com o autor. 

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