As sete irmãs – Lucinda Riley

“As sete irmãs” é o primeiro livro de uma série de sete histórias escritas pela irlandesa Lucinda Riley. No contexto, um bilionário sueco adota sete meninas ainda bebês, cada uma delas de uma parte do mundo. Quando ele morre, deixa para cada uma das filhas as coordenadas de como encontrar o seu passado.

Neste livro, a filha mais velha, Maia, decide sair em busca de suas origens no Brasil. É isso mesmo! Um livro de uma escritora gringa ambientado em terras brasileiras. E ela não decepcionou. Como dizem por aí, Lucinda Riley teve a manha nesse livro.

Capa da primeira edição

Sob os olhares de uma estrangeira, a autora descreveu o Brasil em duas épocas distintas, mostrou que estudou bem a nossa cultura, desde os costumes à economia, fatos históricos e religiosidade. A receptividade e a acolhida do povo brasileiro não passaram despercebidas pela autora, em vários momentos ela cita essas características e outras referências que vão muito além da caipirinha, como, por exemplo, a rivalidade Brasil e Argentina, as ruas e imóveis cariocas, a decadência das famílias que investiram nas minas de ouro de Minas Gerais e a ascensão dos produtores de café.

A escritora insere no texto personagens reais que participaram efetivamente da construção do monumento do Cristo Redentor, como Heitor da Silva Costa, projetista e desenhista. Na história, é com a família dele que Izabela (bisavó de Maia) vai para a França. Heitor parte para a Europa em busca de um escultor para contribuir com o projeto. Lá, conhecem o famoso escultor Maximiliam Paul Landowsky, responsável na vida real por esculpir a cabeça e as mãos do monumento, cujo molde foi tirado das mãos de Izabela e de uma amiga brasileira.

Capa segunda edição

Maia é tradutora de livros e, diferente de suas irmãs, ainda vivia com o pai em uma luxuosa ilha na Suíça. Uma jovem linda, que carrega um trauma daqueles bombásticos, que só descobrimos no final do livro, o que justifica o fato de Maia ter praticamente se escondido na ilha. No Brasil, Maia conhece o rosto dos livros que traduz, o escritor e historiador Floriano Quintela, que, claro, vai ajudá-la a desvendar esse mistério. Floriano é bonito, gentil e um clima entre eles não demora a surgir. Como num quebra-cabeças, eles vão desvendando os mistérios dos antepassados de Maia e sua relação com a construção do maior símbolo da nossa cultura, o Cristo Redentor.

Através de cartas e relatos de uma antiga empregada da família, somos transportados para o passado e conhecemos a história da bisavó de Maia, a encantadora Izabela Bonifácio. De beleza única, Izabela é filha de um produtor de café que busca reconhecimento e aceitação da sociedade carioca. Ele acaba usando a filha para conseguir o status social, casando-a com um jovem de uma família decadente, mas que possui sobrenome e tradição. Izabela quer amor e o encontra em uma viagem para Paris. Dividida entre ajudar o pai e viver o seu romance, ela precisa fazer escolhas que vão mudar o seu destino para sempre. Alternando entre passado e presente, vamos torcendo pela felicidade de Maia e de sua bisavó, e descobrindo o quanto as duas têm em comum e o quanto o medo foi capaz de influenciar nas decisões das duas.

O livro promete e cumpre muito drama, amor e suspense. As descrições dos cenários brasileiros são perfeitas, a escrita de Riley é gostosa e fácil de absorver. Ela cria uma atmosfera de mistério e excitação, que te envolve e, apesar do livro ser grande, mais de 500 páginas, a escritora soube amarrar tão bem as histórias que você vai devorando e quando percebe, o livro já terminou e a espera pela continuação é inevitável.

A série foi lançada no Brasil pela editora Arqueiro.

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