Pedro Antônio de Oliveira é o autor do mês de outubro

Dedicamos o mês de outubro à literatura infantil apresentando as obras do mineiro Pedro Antônio de Oliveira

Já falamos aqui sobre a importância do incentivo à leitura na infância e dos inúmeros benefícios que essa atividade traz quando iniciada desde cedo. Leia para as crianças, conte histórias, estimule nos pequenos o gosto pela literatura. Só temos e muito a ganhar com isso.

O nosso autor do mês de outubro dedica sua escrita aos pequenos e encanta com a leveza e a criatividade das suas histórias. O jornalista Pedro Antônio de Oliveira já possui três livros publicados: “Metade é verdade, o resto é invenção”, Editora Saraiva/Formato (2007), impresso e digital; “Uma história, uma lorota… e fiquei de boca torta!”, Editora Saraiva/Formato (2008), e “Oreosvaldo, o Pássaro das Sombras”, Editora Lê (2013). Além disso, ele tem textos publicados em livros didáticos de várias editoras, revistas, tirinhas, contos e poesias.

Mesclando o lúdico com temas bem atuais, Pedro nos apresenta histórias divertidas e educativas que resgatam o melhor da literatura infantil: os valores. Seus livros falam de amizade, bullying, amor, inocência infantil, descobertas e contam sempre ilustrações belíssimas que casam perfeitamente com as obras.  

“Oreosvaldo, o Pássaro das Sombras” conta com ilustrações do artista italiano Maurizio Manzo. O livro já foi adotado por mais de 20 escolas em todo o Brasil. A fábula é muito divertida e traz um tema legal de ser abordado entre as crianças que é o bullying (quem nunca). Com direito a vilão, aventuras e descobertas, a história do tímido avestruz Oreosvaldo continua na vida real em seu blog: http://www.opassarodassombras.com.br/. Os leitores podem interagir com o pássaro das sombras após a leitura e quem sabe se tornarem amigos. Confira a resenha aqui.

“Metade é verdade, o resto é invenção” é o resgate daquela infância gostosa que marcou uma geração de brasileiros. Traz as aventuras de um menino e todas as vivências que a sua rua pode proporcionar. Apesar de ser um livro infantil, a leitura para os adultos é nostálgica. Certeza que vai reavivar muitas memórias. O livro traz ilustrações de Angelo Abu e já foi adotado por mais de 50 instituições de ensino. 

“Uma história, uma lorota… e fiquei de boca torta!” conta com ilustrações da artista plástica Adriana Camargo. Aventura e diversão não faltam nesta história. Dizer mais do que isso é entregar vários spoilers. 

Livros infantis em suma não foram feitos apenas para as crianças, até porque muitos deles precisam exatamente do intermédio de um adulto para ler, orientar e ajudar a interpretar a história. O incentivo à leitura passa por dois importantes pilares, a família e a escola. Na vida literária do Pedro, estes pilares foram determinantes.

A sua história com a literatura começou bem cedo, como tem que ser né, um hábito de pai/mãe para o filho quando este ainda nem sabia ler.

“Os primeiros livros vieram da biblioteca onde minha mãe trabalhava. Toda noite, um pouco antes do sono chegar, me deitava a seu lado para ouvir histórias. O livro é o primeiro brinquedo de uma criança. Uma caixa mágica que vai revelando mistérios a cada página virada. Ainda não sabia ler e me lembro bem da sensação deliciosa de ouvir minha mãe narrando àquelas aventuras e, logo em seguida, eu pedia para ver as ilustrações. Ficava ansioso para desvendar as surpresas das páginas seguintes.”

O gosto pela leitura impulsionou o desejo de escrever. E aqui entra a ação da escola, das professoras e dos amigos agindo como incentivadores e inspiradores.  

“A escrita entrou na minha vida pelas mãos de uma fada. Minha professora, a Tia Luiza, foi quem me alfabetizou. Mais adiante, a Tia Elizabeth… e tantas outras mestras zelosas, me encantavam com belos textos escolhidos a dedo e com tanto carinho. Em seguida foram as redações e os campeonatos de escrita já na adolescência, promovidos por outras duas professoras: a Vanir Consuelo e a Lúcia Helena. Viu?! Não me esqueço delas, pois marcaram profundamente minha vida.”

Histórias existem para serem contadas, disseminadas, ouvidas e repassadas para perdurarem por séculos e séculos. Com várias delas prontinhas e o desejo de levá-las ao mundo é que surge o grande e principal desafio dos escritores brasileiros, eternizar suas histórias nas páginas de um livro.

“Já mais crescidinho, batia na porta de muitas editoras tentando publicar meus livros. Não foi nada fácil! Em 2007, enfim, lancei meu primeiro livro. Devo muito à amiga Ana Elisa Ribeiro, autora de muitos livros, e sua tia Maria de Lourdes Machado Ferreira, que me apontaram uma luz no fim do túnel. Ana Elisa, carinhosamente, leu inúmeros textos meus, fez valiosas críticas e elogios, e sugeriu que eu os encaminhasse à escritora e, na ocasião, editora da Saraiva Sonia Junqueira. Foi quando tudo aconteceu. Meus textos foram parar nas mãos certas. Tudo aconteceu via Sedex. Sonia e eu nunca tínhamos nos encontrado antes. O comunicado de que iria publicar meu primeiro livro foi feito por e-mail, de maneira simples e direta. Ainda bem que meu coração é forte!”

A escolha do público infantil é uma escolha do coração. Hoje, os livros infantis disputam a atenção das crianças com as novas tecnologias. Uma disputa difícil, mas não impossível.   

“O livro é um produto. Precisa de propaganda, precisa aparecer igual aparecem os celulares, os jogos, as novelas, os carros, o futebol… É preciso investir nesse objeto precioso para que ele também seja motivo de desejo. E, ele precisa ter um preço acessível. As pessoas ainda têm pena de gastar com livro. O livro precisa ser vendido na livraria, na padaria, no supermercado, na farmácia, nas bancas de jornal, no carro da pamonha, na praça de alimentação do shopping, na feira hippie, dentro do ônibus, na fila do banco… Onde for possível. O livro tem que perseguir as pessoas. Não podemos escapar dele. Só assim as pessoas talvez leiam mais.”

Nosso papel como leitor é incentivar. Divulgar a literatura e apresentar novos autores é oferecer instrumentos para que os leitores leiam mais e os que não leem se sintam pelo menos curiosos em relação a uma história ou um autor.

Confira a entrevista:

Existe alguma forma para fazer as pessoas lerem mais?

Tudo começa pela educação. Precisamos valorizar o que realmente merece e promover a transformação. Nós nos deslumbramos demais com bobagens e produções de baixa qualidade.  Dê livros às crianças desde bebês. Quem lê tem a chance de se comunicar melhor e enfrentar com mais segurança essa selvageria toda. Quem lê tem a oportunidade de ser mais livre, desbravar melhor o mundo e conquistar seu espaço.

Qual o papel da literatura na formação da criança?

A literatura forma, educa, emociona, instiga, responde, alimenta ou simplesmente diverte (o que não é pouco). A literatura é companheira, dá nome aos sentimentos, resgata e salva! É igual ao Bombril, “mil e uma utilidades”.  Todo mundo deveria experimentá-la o quanto antes, se possível, ainda na barriga da mãe.

Como os seus livros podem despertar o gosto pela leitura?

Escrevo com o coração, tentando acertar o coração das crianças. São histórias simples que vivi, tramas que envolvem bichos e outras lorotas repletas de fantasia.  Um pouquinho de lirismo, uma pitada de humor e pronto. Sei que tenho muito ainda o que aprender, mas continuo caminhando.

O que as suas histórias têm para ensinar aos filhos e aos pais?

A literatura não deve ser panfletária, moralista ou didática. Mas, quem sabe, os livros podem nos ensinar a ser mais humanos?! Gostaria que assim fosse.

Se pudesse indicar um livro para quem nunca leu por prazer, qual seria?

Sugiro ir a uma biblioteca e escolher um que tenha a ver com você. Nada mais prazeroso que optar por aquilo que mexe com o seu coração. A gente não escolhe roupa, comida, perfume, o melhor tipo de xampu para nossos cabelos ou creme adequado para a pele? Escolha, então, um livro que melhor se encaixe na sua alma, no seu coração. Aí começa o prazer pela leitura.

Qual livro você mais releu?

Um livro de que gosto muito é “Poemas que escolhi para as crianças”, uma antologia de Ruth Rocha, com vários autores maravilhosos. A obra é ricamente ilustrada. Possui 160 páginas e é da Editora Salamandra.

Qual autor/autora te inspira?

São tantos autores sensacionais… Vou citar apenas alguns: Leo Cunha, Sylvia Orthof , Sonia Junqueira, Walther Moreira Santos, Ruth Rocha, Ana Maria Machado, Ana Elisa Ribeiro, Rita Espeschit, Roseana Murray, Lau Siqueira, Índigo, Tatiana Belinky, Dora de Oliveira, Elias José…

Ler é…

Viver um profundo mundo interior. É estar solitário sem sentir solidão.

Escrever é…

Fazer voar, de um modo muito especial, as verdades presas dentro de você.

Ser escritor hoje no Brasil significa?

Significa dar sua contribuição para uma nação promissora se tornar um lugar melhor em algum momento lá do futuro.

O mês de outubro é lembrado pelo Dia das Crianças e também por ser um mês recheado de datas literárias. Confira algumas no post da Editora Scortecci, nossa parceira literária.

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