Peculiar

Por: Natália Cristina 

O companheirismo que ela atribuía como qualidade na relação dela com as próprias plantas era bem sensato, visto que ninguém a entendia e ela também não entendia ninguém.
Entre ela e as plantas, havia o regador e os equipamentos de jardinagem que nada mais eram que uma faquinha de pão e um garfo para amaciar a terra, ambos retirados da cozinha para uma nova missão. 
Sobre não ser entendida e nem entender ninguém, ela não fazia questão nenhuma que esse entendimento mútuo (ou não) acontecesse. 
Ela preferia entender as plantas dialogando dia após dia com elas, até perceber a quantidade exata de água a colocar e se elas gostavam de sol ou não.
E ainda assim, algumas plantas morriam; ela não entendia nada e ficava pensando por um tempo em como aquilo podia acontecer.
No fim, ela tirava de lição que cada ser, por menor que seja, é único e tentar entender certos acontecimentos e ações é desperdício de tempo, pois tudo segue seu próprio curso independente de qualquer fator externo.
E no entanto, seguia mais convicta ainda de que não fazia questão de ser entendida, desejando que as pessoas passassem a cuidar mais de plantas ao invés de cuidar das peculiaridades alheias.

Poema de autoria da seguidora Natália Cristina, que enviou o seu texto para o contato@literalmenteuai.com.br . Agradecemos a confiança! 

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