Por: Marina Gomes Rocha França

Tenho repetido quase como um mantra a frase “30 são os novos 20”.

Não é preciso ser nenhuma Miss Marple para adivinhar que estou bem perto de completar 30 anos. Um cadinho a mais de perspicácia é suficiente para deduzir, ainda, que estou em uma puta crise de identidade por chegar perto de uma idade tão “adulta”.

O simples ato de imaginar o que os meus pais e avós já eram aos 30 anos me deixa meio zonza. Fico apreensiva por constatar que minhas “conquistas” são bem menos concretas do que as deles. Me deixa um saborzinho de derrota pensar que vivi durante quase trinta anos e realizei tão pouco dos meus “projetos”…

Escrevo para desabafar, mas também como uma forma de me sentir um pouco menos só, porque sei que, assim como eu, tem mais gente se sentindo um pouco confusa nessa fase da vida.

Quando eu fiz 18 anos acreditava que, aos 30, já teria a vida ganha. É claro que eu não passava de uma jovem alienada, com muitos sonhos, mas sem muitas maneiras para coloca-los em prática.

Acho que o mantra que venho repetindo se fundamenta no fato de que agora, com quase trinta, tenho um bocado de ferramentas para construir um caminho que me leve a “ganhar a vida”. Claramente aos 18, meus quase 20, eu não tinha nem uma ideia de como chegar aos lugares que eu pensava que chegaria nos próximos dez anos.

De repente a frase que venho repetindo tão reiteradamente tenha sua origem lá, nos meus quase vinte. Época de sonhos maiores que as pernas. Talvez estar mais perto dos trinta tenha me preparado para realizar um pouco mais do que apenas traçar planos sem fundamentos realistas.

É claro que sinto medo. Se não sentisse não estaria aqui. Sinto medo de estar perdendo o meu tempo ao longo de todos esses quase trinta anos. Sinto medo de não ter aproveitado da forma correta cada ensinamento que os mais velhos tentaram me passar, cada aprendizado que obtive com o próprio tempo, com a própria vida.

E também tenho um medo que me causa embaraço admitir, pois me faz parecer tão fatalista, tão exagerada. Tenho medo de que a juventude esteja se esvaindo e, com ela, a possibilidade de chegar no topo de alguma montanha boliviana, ou de cruzar a Europa de mochilão…

Mas de alguma forma a repetição do mantra “30 são os novos 20” me aproxima da crença de que, nos dias de hoje, quando temos quase 30 o tempo nos prega uma peça, pois continuamos desejando como desejávamos aos quase 20.

Agradecemos imensamente a Marina Gomes Rocha França que gentilmente nos enviou as suas reflexões. Você também pode participar. Envie suas ideias, crônicas, contos para contato@literalmenteuai.com.br

Gostou da coluna “Antes dos 30“? Se você já passou dos 30, não se preocupe, temos um espacinho pra você também. Confira: “Depois dos 30“.

A coluna Antes dos 30 é publicada aqui aos sábados, quinzenalmente. As opiniões e fatos não refletem, necessariamente, a opinião de todas as pessoas que estão perto de completar 30 anos.
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