lombada de livros empilhados com o título da matéria

Histórias dos Bairros de BH é registrada em livros

Você sabe a história do seu bairro? Conhecer a história do local onde moramos é de extrema importância para a formação da nossa identidade, reconhecimento da nossa cultura e valorização das nossas raízes. Em 2017, Belo Horizonte completou 120 anos e cada cantinho dessa cidade tem muita história pra contar. Umas das primeiras cidades planejadas do Brasil, projetada para ser a capital de Minas Gerais, explodiu populacionalmente e cresceu muito além do que era planejado. De acordo com a Prefeitura de Belo Horizonte, já são 487 bairros, mais de 11 mil ruas e 300 avenidas, que guardam muita história. E para dar luz sobre as memórias da criação e desenvolvimento dos bairros da capital, o Arquivo Público criou a coleção “Histórias de Bairros”. Um projeto que demorou dez anos para ficar pronto, desde a ideia inicial em 1999, até a sua finalização em 2009. Hoje, o projeto está totalmente disponível para consulta sem burocracia ou custo.

Foto: Josiane Gonçalves

Desde a fundação do Arquivo Público de Belo Horizonte, os funcionários começaram a perceber uma demanda muito grande da população, por informações sobre o passado dos bairros de BH. Uma exponencial quantidade de alunos, tanto do ensino fundamental, quanto médio, de escolas públicas e privadas, procuravam informações sobre seus bairros, sobre a região onde ficavam suas escolas, em suma, para a realização de trabalhos escolares, projetos e outras atividades. Foi daí que surgiu a necessidade de elaborar uma compilação das informações e arquivos.

Yuri Mesquita (diretor de Patrimônio Cultural e Arquivo Público)

O projeto demandou um grande processo de pesquisa interna, que contou com profissionais do Arquivo, e uma equipe multidisciplinar para selecionar, pesquisar e produzir o material, que foi feito com um viés didático,  direcionado às escolas e alunos de 9 a 12 anos. Para isso, foi necessário o apoio da Lei do Incentivo à Cultura e também patrocínio privado. De acordo com Diretor de Patrimônio Cultural e Arquivo Público, Yuri Mesquita, a demora no processo de criação dos livros se deu devido a complexidade da pesquisa e dificuldade com o financiamento. “Foi um processo longo, que necessitou uma extensa pesquisa e o financiamento também, porque se tivéssemos o financiamento desde o início seria mais fácil. Foi um processo que demandou conhecimento do acervo, organização interna, para que ele pudesse ser lançado de forma efetiva”. Vários profissionais participaram da produção dos livros, a maioria historiadores da equipe interna do Arquivo, além de arquivistas, bibliotecários e consultores e pessoas contratadas para escrever os textos e para a produção gráfica. Yuri relata que eles foram fundamentais tendo em vista a grande necessidade do conhecimento do Arquivo em si. “Envolveu muita análise do acervo, organização, discrição, então foi uma equipe multidisciplinar, mas primordialmente, formada por historiadores”, afirma.

Foto: Ricardo Laf (Prefeitura de Belo Horizonte)

É preciso entender que além de um monte de arquivos e documentos, a cidade é viva, e sua história também se faz no boca a boca. No conhecimento passado de pai para filho, de avós para netos. A história contada e o conhecimento popular também foram levados em consideração, por serem fonte rica de pesquisa. Foram utilizados dados de um outro projeto do próprio Arquivo Público, o “Cestas da memória”, existente desde 2003.  Nele cidadãos geralmente da terceira idade e ex-servidores da prefeitura, que têm grandes conhecimentos sobre as trajetórias dos bairros ou de algum fato marcante sobre o desenvolvimento da cidade,  são entrevistados pelos historiadores do Arquivo em reuniões, e os dados ficam registrados. Além disso, o projeto tem como objetivo usar esse conhecimento extenso dos voluntários para fazer a identificação de fotografias antigas da Capital para que a descrição do acervo seja facilitada.  Sendo assim, indiretamente, a história oral também foi de enorme valia para a realização do projeto.  A coletânea focou na origem dos bairros, enfatizando a sua trajetória, desde o surgimento, até os dias atuais. Além dos dados do Arquivo: cerca de 1 milhão de projetos arquitetônicos, mais 400 mil fotografias, relatórios, gravações plenárias da Câmara Municipal de BH, dados de outras instituições, como os acervos da Secretaria de Saúde, serviram de fonte para as obras literárias.

Imagens do interior de um dos livros da coleção histórias dos bairros de bh
Foto: Josiane Gonçalves

O Projeto “História de bairros” produziu nove livros, um específico para cada regional de Belo Horizonte: Barreiro, Centro-Sul, Leste, Nordeste, Noroeste, Norte, Oeste, Pampulha e Venda Nova. No interior de cada livro, estão informações sobre a regional, listagem dos bairros e informações mais relevantes sobre eles. Ainda uma breve história de Belo Horizonte e sua fundação, como cada bairro foi nomeado, uma linha do tempo (com datas de fundação das regionais, criação de leis, inaugurações de avenidas, alterações de nomes, criação de zonas industriais, entre outros), mapas das regionais e muitas atividades interativas, como perguntas, jogos e atividades para serem desenvolvidas ou discutidas até mesmo em sala de aula.

De acordo com Yuri Mesquita, existem planos para produção de novas coleções para alguns bairros específicos, devido a imensa quantidade de informações e carga histórica. Além disso, pretendem realizar uma atualização dos livros em um futuro próximo, para que sejam inseridas pesquisas de práticas e saberes regionais. “A cidade cresce o tempo todo, muda, você tem sempre um marco novo. O  Santa Tereza, por exemplo, é um bairro tombado, então você tem uma série de questões que mudam, porque a cidade é muito fluída, então a gente tem que acompanhar isso nos estudos do “Histórias de Bairros”, avalia. 

lombada dos livros ca coleção histórias dos bairros de bh
Foto: Josiane Gonçalves

É indiscutível o potencial informativo dos livros, mas principalmente, o valor histórico e de preservação que as publicações tem. Eles são uma maneira de preservar e documentar a história para uso efetivo no aprendizado de alunos e também para manter a memória de uma cidade que está em constante expansão.

Gostou? Damos aqui uma boa notícia. Você pode acessar os livros no Arquivo Público de BH e baixá-los. Os livros estão disponíveis para download gratuito no site na PBH, vale a pena conferir.

E aí? Você sabe a história do seu bairro? 

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