Harry Potter, 20 anos! A experiência de quem leu depois 30 anos

Elis: Para quem se denomina leitor, ter a saga Harry Potter no currículo é quase uma obrigação. Uma obrigação literária eu diria, um termo nada popular, mas que determina muito que tipo de leitor você é, e onde você vai se encaixar. Obras como O Pequeno Príncipe (Antoine de Saint-Exupéry) e Dom Quixote (Miguel de Cervantes), na lista dos mais vendidos do mundo, são alguns exemplos, entre tantos outros, de obrigações literárias.

Entretanto, a história do pequeno bruxo não é uma unanimidade, pelo contrário, uma sombra de preconceito ronda a saga e tudo aquilo que diz respeito a ela, como os filmes, por exemplo. Será então que o encanto da magia, escolhe a dedo aqueles a quem tocar? Talvez, mas o fato é que quem leu, ama. Quem não leu até hoje, e tem mais de 25 anos, abomina terminantemente a saga.

Na minha história com a literatura, Harry Potter, passou despercebido. Faço parte da geração cuja leitura de um clássico, valia uma caderneta sem nota vermelha, ou até mesmo a chamada “bomba” no final do ano. Eu sempre amei a literatura, aprendi lendo os clássicos infantis que meu pai sempre fez questão de comprar, mesmo que a gente só folheasse para ver as “figuras”. Ainda assim, carreguei o trauma de livros como Macunaíma (Mário de Andrade) e Senhora (José de Alencar), cuja releitura recente, e resolução das questões ao final do livro me fez questionar quanto ao rigor na formulação das questões de prova. De repente, percebi que talvez o problema não estivesse na história a ser lida, mas na escolha da obra para o perfil dos leitores, e na formulação das perguntas, muitas vezes baseadas na percepção dos professores.

Para esta geração, o alívio literário partia de escritores como Pedro Bandeira (Os Karas), Isabel Vieira (E agora, mãe?), Lygia Bojunga (A bolsa amarela), Lúcia Machado de Almeida (O escaravelho do diabo), Valéria Piassa Polizzi (Depois daquela viagem), entre tantos outros, que infelizmente não faziam parte da grade escolar. É inegável que a leitura obrigatória deixou marcas e reflexos até hoje. Estaria então neste grupo os que ainda não leram Harry Potter e provavelmente nunca lerão? É provável, porém difícil de cravar.

Mas, encarei o desafio. Conhecendo praticamente toda a história, aos 35 anos, e sob muita pressão popular, até porque, uma marca registrada dos chamados potterheads, é a propaganda, a insistência em compartilhar a experiência que viveram e vivem, ainda hoje, sugando tudo aquilo que a saga tem a oferecer. Em uma edição de luxo, com direito a capa dura, comecei a ler Harry Potter e a Pedra filosofal.

As primeiras páginas já trazem a primeira empatia e identificação do leitor com a história. Um spoiller que não me deram, é que Harry é uma criança deslocada, que não se encaixa na sociedade, muito por conta dos maus tratos dos tios e bullying sofrido tanto em casa quanto na escola, praticado pelo primo “Duda” e seus seguidores.

Harry não conhece nada do seu passado glorioso e o envolvimento dos seus pais com a magia é algo terminantemente coibido pelos parentes. Apesar de todo o poder hereditário, capaz de expulsar o mal do mundo, Harry é humilde e aceita passivamente o destino que lhe foi reservado, embora algumas coisas inexplicáveis aconteçam de vez em quando. Como quando interagiu com uma cobra brasileira em um zoológico.

Sutilmente a escritora, JK Rowling, vai apresentando os dilemas diários da criança pobre e humilhada, ao passo que explica toda a concepção mágica em torno da história. Em nenhum momento ela deixa o leitor a margem, disperso. Sempre puxa o leitor para uma realidade difícil, que magicamente irá se transformar. É aquele famoso “Os humilhados serão exaltados”, que ela trouxe da própria experiência de vida, para as páginas de Harry Potter. E essa filosofia aparece muito na história, como se fosse um mantra a ser fielmente seguido.

Dos desaforos da convivência com os tios, a realidade de Hogwarts, o que se destaca mesmo é a escrita da britânica Joanne Rowling, JK para os mais íntimos. Decepcionada com um livro “adulto” escrito por ela, “O chamado do Cuco”, sinceramente não esperava que a leitura de Harry Potter, apesar de ser o primeiro volume de uma série, que tende a ser o mais descritivo e amarrado, deixando os melhores acontecimentos para o final, fosse me prender.

Essa aura de realidade diária, com a possibilidade mágica de uma mudança de paradigma, me capturou como todo o resto da obra. A JK, não criou apenas uma história, é um novo mundo, com suas tradições, língua, costumes, habitantes com características específicas, problemas, clima, fauna, flora, meio de transporte. Um mundo com um passado e um presente bem estruturados e que convence. Não é uma fantasia fantasiosa. A leitura te permite acreditar que aquilo tudo é verdade. Uma inspiração para aqueles que passavam pelos mesmos problemas de Harry, se viram na história, e tiveram a que se apegar, sonhar.

Isso explica, uma geração que leu Harry Potter em horas, releu em dias, mas que penou amargamente para superar os clássicos brasileiros. Sem dúvida, a saga ajudou a quebrar o preconceito com a literatura em geral, abriu portas para outros mundos e eternizou um modelo de escrita acessível a todos. Todas essas percepções vieram antes mesmo de Harry entrar para a escola de magia, que é lá que o bicho pega de verdade.

Uma grande sacada da JK e que para mim sela de vez a afinidade dos adolescentes com a história, foi levar Harry para Hogwarts. E nada mais conflituoso que o ambiente escolar, sobretudo cercado pelo seu destino mágico. E não é apenas a luta do bem contra o mal, lá ele viverá os dilemas típicos da sua idade, a busca pela aceitação, a convivência em equipe, o peso das amizades e inimizades, e encarar os desafios mortais ao mesmo tempo que constrói o seu futuro.

Com todas essas possibilidades, a leitura simplesmente avança, até porque o livro é muito pequeno, a linguagem é simples e direta e a história se torna mais instigante a cada virada de página. O leitor, despretensiosamente é convidado a fazer parte da vida de Harry, e assim o faz, mantendo cada vez mais viva, o sucesso da saga 20 anos após o seu lançamento.  

Não terminei a leitura com aquele apetite voraz, “ressaca literária”, que muitos fãs da série com certeza tiveram e eu tenho com o meu gênero preferido, romance. Mas, me permiti fazer o teste das casas e descobri pertenço a “Corvinal”, casa que não aparece muito no primeiro livro, talvez esteja aqui a justificativa para continuar lendo a saga.

Trinta e cinco anos não é uma boa idade para esta leitura, sou uma leitora formada e acredito que o meu papel agora não é sonhar com Hogwarts, comprar os produtos da série, mas incentivar essa leitura incrível e ajudar a quebrar os preconceitos. Com certeza meu filhos lerão Harry Potter.

Lançado em 1998, Harry Potter representa, antes de qualquer análise, um marco na literatura mundial. Despertou milhões de jovens da obscuridade intelectual, que ao final da leitura de 7 livros, sedentos por mais histórias, encontraram em outros autores, outras histórias, uma razão para manter vivo o amor pela leitura. É preciso reconhecer isso, antes de sair destilando qualquer preconceito com a saga.

 

Harry Potter, há anos incentivando à leitura

Bárbara: Harry Potter! Não raro esse nome traz à tona aquela nostalgia gostosa de quem cresceu compenetrado nos livros e adaptações da série escrita pela britânica J.K. Rowling. Com Harry, Rony e Hermione, milhares de crianças e adolescentes aprenderam que a literatura pode – e muito – ser um “ambiente” de crescimento e empatia. O primeiro livro, “Harry Potter e a Pedra Filosofal”, foi lançado há 20 anos e, desde então, os feitiços, poções e a magia encantaram e arrebataram uma legião de fãs mundo afora.

A febre do bruxinho que sobreviveu ao maior vilão do mundo mágico – aquele-que-não-deve-ser-nominado – foi tão bem aceita que o universo se expandiu e já tem parques temáticos, peça de teatro, jogos, spin-offs e uma diversidade de itens de colecionador. Tudo isso, para não deixar os fãs órfãos – e pelo dinheiro também é claro, já que a série é uma das mais rentáveis de que se tem notícia.

Se hoje a saga é um fenômeno mundial, acumulando diversos recordes de vendas, como a série literária mais vendida da história, é importante ressaltar que não foi assim tão fácil ser publicada. A escritora teve que mudar seu nome – de Joanne Rowling para J.K. Rowling –, já que se acreditava que um livro escrito por uma mulher não seria bem aceito, além disso, após finalizar o primeiro título, J. K. enviou o manuscrito para 12 editoras, todas negaram a publicação.   

“Tenho escrito continuamente desde os seis anos de idade, mas nunca estive tão excitada com uma ideia antes. […] Eu simplesmente sentei e pensei, por quatro horas (trem atrasado), e todos os detalhes borbulharam em meu cérebro e este garoto de óculos e cabelos pretos que não sabia que era um bruxo tornou-se mais e mais real para mim”. (J.K. Rowling)

É impossível falar da literatura fantástica sem citar Harry Potter. Reza a lenda (modo de falar) que J. K. teve as primeiras ideias para a história dentro de um trem entre Manchester e Londres. Divorciada, a britânica precisava colocar comida na mesa da filha. Naquele momento, acreditamos, J. K. não imaginava o que estava por vir, não imaginava que estava criando uma das histórias mais incríveis e complexas da literatura.

Para quem já se rendeu ao universo de Harry Potter, sabe que as pontas foram tão bem amarradas que o desfecho de cada um dos livros é surpreendente. Sentiu um frio na barriga em cada uma das batalhas e torceu muito – ou não – pelo protagonista em sua jornada. Sabe aquele livro que você fecha para respirar e pensar: “que genial”? Harry Potter é desses.

Os efeitos da saga na vida dos fãs

Mesmo tantos anos após a publicação do último livro e também da exibição da adaptação nos cinemas, não param de surgir novas histórias ligadas ao universo bruxo. Recentemente, descobrimos que o próximo filme roteirizado por J. K. vai se chamar “Animais Fantásticos, Crimes de Grindelwald” confira o trailer. Eba!!! O título do longa foi motivo de empolgação, já que, ao que tudo indica, vamos conhecer mais sobre o segundo maior bruxo das trevas, Grindelwald. Nos livros de HP, só somos apresentados a ele por meio de flashs.

Pelo Brasil, se espalham fãs de todas as idades, aglutinados em grupos nas redes sociais, compartilhando e mantendo viva a paixão pela história. Em Belo Horizonte, essa paixão é celebrada com encontros de fãs, apresentações de novidades da saga, festas temáticas e eventos que promovem interação entre os participantes.

Gilmar Parreira

Para quem ainda não conhece, grande parte desses eventos são promovidos pelo fã clube Potter Club, um dos maiores do Brasil,  idealizado pelo designer Gil Parreira. O fã clube começou em 2011, com o lançamento do DVD de ‘Relíquias da Morte – parte 1’ e a partir daí a gente percebeu que a saga tava chegando ao fim e que BH era uma das únicas cidades que não tinha esse tipo de evento. Não consigo quantificar os eventos que já realizamos nesses sete anos. Nosso primeiro evento grande foi ‘A Última Noite em Hogwarts’ em 2011 e, desde então, fazemos convenções anuais, hoje é chamada de Hogsmeeting, que a cada ano traz a temática de um dos livros. Também reprisamos todos os filmes no cinema e promovemos eventos de lançamentos de livros e filmes”, conta.

Além de levar um grande público e amantes de H.P, o Potter Club também valoriza a literatura. “A média de público dos nossos eventos grandes é de 300 pessoas, mas tivemos a sessão de reprise do primeiro filme que lotamos três salas de cinema, totalizando 650 pessoas”, destaca Gil. “Por mais que a gente já não tenha mais grandes lançamentos como no passado, Harry Potter é atemporal. Sempre vai ter uma criança que vai começar a ler agora e se apaixonar e nossa missão é manter isso vivo para as novas e velhas gerações”.

O estudante Renato Gonçalves é um desses fãs que, LiteralMente, vestem a camisa de HP. E, foi, justamente, a história do bruxo que o introduziu no universo literário. “Quando conheci Harry Potter, me sentia pouco atraído pela literatura. Gostava, mas não tinha muita paciência para livros grandes e sempre demorava muito nas leituras. Quando descobri o fantástico mundo de J.K. Rowling, eu tive uma outra visão sobre literatura. Foi surreal. Eu nunca tinha me interessado tanto por um livro quanto me interessei pela “Pedra Filosofal”, que foi o primeiro que li e, desde então, se tornou o meu livro preferido. A literatura de Rowling me prendeu de uma maneira inexplicável e, se hoje sou tão fascinado por livros, devo isso a nossa eterna rainha J.K.”, conta o estudante.

E, Renato não é um caso isolado. A saga se tornou sucesso de público, vendendo em torno de 400 milhões de exemplares em todo mundo. Uma legião de fãs guarda com carinho o amor pelo bruxinho mais famoso do universo, que abriu uma porta para muitos jovens que decidiram entrar de vez no mundo literário. Uma pesquisa do Kids and Family Reading Report feita lá em 2006, da editora americana Scholastic, revelou que 51% dos jovens de até 17 anos que liam HP afirmaram que antes não liam livros por diversão, mas passaram a ler depois da saga. E, 76% dos pais destes jovens afirmaram que os filhos começaram a ter melhor desempenho na escola depois de lerem Harry Potter.

 

David Santos Sousa

“Harry Potter foi um estopim para a minha paixão pela literatura. Desde o ensino fundamental, quando devíamos ler livros de autores nacionais para fazer testes, sentia que aquelas obras não me cativavam tanto ao ponto de procurar mais sobre aquilo. Foi então que encontrei o mundo da ‘fantasia’. Lendo ‘Harry Potter e a Pedra Filosofal’ descobri, literalmente, a magia dos livros e em como podia ser feliz naquele virar de páginas. Outros autores, como Philip Pullman e Cornelia Funke, também me mostraram a alegria e os bons amigos feitos pela leitura. Além de ler os livros, sentia a necessidade de comentar aquelas aventuras fantásticas e, ao encontrar pessoas que também eram apaixonadas por esse mundo, sabia que tinha encontrado os melhores amigos”, destaca o estudante David Santos Sousa.

 

Filipe Alves

O boom de Harry Potter chegou às escolas e, hoje, podemos encontrar os livros nas prateleiras das bibliotecas, uma boa maneira de incentivar a leitura, não é mesmo? Em 2009, exemplares foram entregues a quase 5 mil escolas pela Secretaria Estadual de Educação, alcançando 3,3 milhões de estudantes da rede estadual. E, foi assim que o estudante Filipe Alves teve seu primeiro contato com um livro de J.K. “O universo de HP foi um dos maiores motivos para fazer com que eu me apaixonasse por leitura. Sempre lia alguns livros, mas não era na mesma proporção. Lembro que quando fui para a 5° série e mudei de colégio, vi os livros na biblioteca e peguei para ler, porque já tinha ouvido falar dos filmes, desde então, não parei mais”, relata.

 

Uma história que acolhe o leitor

Josiane: Ler Harry Potter é uma experiência acolhedora. O caráter sentimental é uma característica muito forte que marca as linhas e entrelinhas dos livros. Ali, nas páginas escritas por Rowling, os jovens puderam se identificar, se sentir incluídos e fugir, muitas vezes, de uma realidade adversa. Além, é claro, de sonhar com a chegada da carta que os levaria à Hogwarts. Sim! Qual apaixonado por HP nunca sonhou em descobrir que, na verdade, pertencia a outro universo o tempo todo?

A designer de moda Fernanda Mesquita conta como é forte a ligação criada entre os fãs. “Eu acho que existe uma conexão muito profunda entre todos os fãs e os motivos pelos quais a obra tocou todo mundo. As pessoas têm problemas, nós vivemos situações muito particulares e similares ao que é, de alguma forma, retratado em Harry Potter. É ver essa similaridade e como as coisas são resolvidas que traz essa conexão”, avalia.

É preciso mencionar que Harry Potter tem ensinamentos que alguns fãs levam para a vida. Com suas frases de efeito, Dumbledore sabe dar bons conselhos.

“É preciso muita audácia para enfrentarmos os nossos inimigos, mas igual audácia para defendemos os nossos amigos”. (Harry Potter e a Pedra Filosofal – página 221).

“Não tenha piedade dos mortos, Harry. Tenha piedade dos vivos e, acima de tudo, dos que vivem sem amor. (Harry Potter e as Relíquias da Morte – página 561).

Em Harry Potter, o leitor encontra e entende o poder e o valor da amizade, a importância do amor da família e como ele é capaz de proteger do ‘mal’. Solidariedade, compaixão, aceitação, coragem e enfrentamento dos medos são temáticas abordadas na saga. J.K. Rowling deu voz aos personagens e por meio deles transformou a vida de muitos fãs. E não, não é exagero. Convidamos você a ler alguns depoimentos e, assim, entender como Harry Potter é importante para muita gente e como a saga abriu portas para outros autores.

Ana Paula Vargas

“Eu estava com 13 anos em 2001, época de estreia do primeiro filme. Eu não tinha costume de ler muito. Foi a primeira vez que insisti para ganhar algo específico de Natal: queria os livros. Ganhei a “Pedra Filosofal” e a “Câmara Secreta” naquele Natal de 2001. Li os dois em poucos dias. Isso já era algo extraordinário, pois eu enrolava muito para finalizar leitura. Me apaixonei imediatamente. No restante das férias, reli cada um mais 3 vezes. Procurei outros livros na biblioteca do colégio a fim de ocupar as lacunas de tempo entre cada livro que ganhava. Devorei quase toda a seção infanto-juvenil. Tenho orgulho de ser da primeira geração de fãs, a emoção dessa espera era de uma deliciosa tortura. Com isso, desenvolvi não apenas o gosto pela leitura, mas a curiosidade e seletividade sobre a imensidão que a literatura nos traz. J.K. Rowling criou a leitora ávida em mim. Ela ainda é minha autora favorita por afeto e pelo talento dela, contudo, foi através dela que conheci e amei tantos outros autores e autoras.”

Fernanda Mesquita

“Eu sempre fui uma leitora assídua, meus pais sempre incentivaram o meu gosto por livros e, apesar de Harry Potter não ter sido o que me introduziu no mundo literário, foi o que me fez ter a sensação de pertencer a esse mundo e a um grupo. Foi uma prima, quando eu tinha 9 para 10 anos, que me falou que eu deveria ler Harry Potter. Na época, não tinha saído nem o primeiro filme! E foi amor à primeira frase. Nessa fase, de passagem de criança para adolescente, acho que todos nos sentimentos meio Harry de alguma forma, um intruso num mundo novo, meio perdidos, tentando nos encontrar e encaixar dentro de um grupo e sociedade. Tem algo de confortante e excitante em toda aquela fantasia, em se descobrir diferente, em finalmente pertencer a algo. E crescer com os personagens foi parte importante da minha vida e da minha formação como pessoa.  Eu agradeço muito por ter feito, e ainda fazer, parte dessa comunidade. Porque Harry Potter é sim, para sempre.

 

Suzzy Chiu

 

“Uma amiga me apresentou Harry Potter dizendo que o livro era a minha cara! Só me falou que contava a história de um bruxo que vivia debaixo da escada, achei bem bobo isso, e até pensei em não ler (risos). Fiquei com vergonha de ela me perguntar algo e resolvi começar o livro naquela noite. Eu amei tanto que virei a madrugada lendo. Terminei de ler em um dia e já queria mais, mas ainda não tinham lançado o segundo. Fui uma daquelas pessoas que acompanhou na sofrência cada lançamento de livro e de filme. Agora meu sonho é ir ao parque temático, já sei que vou amar muito e não vou querer ir embora.”

 

 

 

Luly Lage

“Eu, assim como uma quantidade absurda de pessoas ao redor do mundo, aprendi sim a gostar de ler por causa de Harry Potter. Durante praticamente toda minha infância livros eram coadjuvantes nos meus momentos de diversão, só faziam parte da escola mesmo. Meus pais adoram ler e tentaram me fazer gostar também, comprando edições do Monteiro Lobato, que nunca foram sequer folheadas. A única leitura que realmente me entretinha eram as revistinhas da “Turma da Mônica”. Em 2000, Harry Potter começou a fazer muito sucesso no Brasil e saiu uma matéria na revista “Recreio” sobre o lançamento de “O Prisioneiro de Azkaban”, que é, até hoje, meu favorito. Meu pai me viu dando uma olhada naquilo e veio correndo empolgado perguntar se eu queria que comprasse os livros, ao que respondi com um “Tá!” e mais nada. Papai leu o livro antes mesmo da virada de ano, mas eu enrolei e as páginas que poderiam ter sido devoradas em uma semana se arrastaram por meses. Até que foi anunciada a adaptação nos cinemas. Ele me disse que eu só poderia assistir se terminasse de ler antes, então fui “forçada” a fazer isso. Eu me apaixonei pelo universo de J.K. Rowling no minuto em que virei a última página do primeiro livro e isso abriu as portas para todas as histórias pelas quais me apaixonei depois. Foi graças a Harry, Rony e Hermione que eu conheci muitos dos melhores amigos e melhores pessoas, e foi visitando Hogwarts que decidi que ia, um dia, publicar minhas histórias também.  

Thais Oliveira

 

 

“Primeiro livro que li sem ser obrigada foi Harry Potter, lembro que li os livros tão rápido que minha mãe nem acreditou. Quando acabei o “Relíquias da Morte” fiquei me sentindo tão incompleta que não esperei nem uma semana para ler de novo!! Definitivamente, Harry Potter foi a maior contribuição para minha entrada nesse mundo literário.”

 

 

Raphael Ferreira

 

“Eu conheci Harry Potter em meados de 2002/2003, vi o filme pela primeira no SBT e amei, na época como ainda existia locadoras fui logo correndo para procurar o segundo filme e descobri que o filme era baseado em livros e já existiam três livros, então pedi pra minha mãe um dinheiro pra fazer minha carteirinha na biblioteca pública aqui da minha cidade (Igarapé). Depois disso, comecei a ler mais, eu já lia um pouco, mas apenas Gibis. Com Harry Potter, eu comecei a me interessar por mais histórias assim como Senhor dos Anéis, Eragon, As Crônicas de Nárnia, Eoin Colfer, Os Miseráveis… Com o tempo, minha paixão por leitura só aumentava me fazendo conhecer mais histórias. Meu amor por Harry Potter é tão grande que foi a coleção que eu mais reli na vida, sendo quatro vezes só meu preferido O Enigma do Príncipe.”

 

Não sabemos se haverá outra história capaz de arrebatar milhares de leitores e desbancar Harry Potter. Mas, não podemos negar que o seu sucesso ainda vai durar por muito tempo e a experiência de leitura é única independentemente da idade. 

 

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