Capa do livro Anjos da Morte, em que um soldado está em um porto com diversos anjos voando ao fundo.

Alerta spoiler: é bem complicado escrever sobre uma continuação sem dar spoiler do livro anterior. Então… se ainda não leu “Filhos do Éden, Herdeiros de Atlântida”, sugiro que leia e depois volta cá pra gente falar sobre Anjos da Morte. Combinado? 🙂 

Em “Filhos do Éden, Anjos da Morte”, Eduardo Spohr muda o foco do primeiro livro da trilogia, “Herdeiros de Atlântida”. Kaira não é mais o centro da história. Agora, nosso personagem principal é o querubim exilado Denyel, um personagem incrível, a quem já fomos apresentados no título anterior. Não há problemas em ler “Anjos da Morte” separadamente, já que, apesar de estar no mesmo universo, difere dos demais livros de Spohr e toca em assuntos mais humanos.

Confuso? Vou explicar!  

O mais interessante neste livro é a presença de fatos históricos reais, guerras e conflitos que estão nos livros de História que nós, seres humanos, estudamos no colégio. Por aí, percebemos que o autor teve um trabalho de pesquisa bem interessante ao mesclar fantasia e vida real. Denyel faz parte do esquadrão de anjos da morte, como ficaram conhecidos, enviado à Terra para estudar os conflitos dos seres humanos. Neste contexto, o anjo exilado participa de guerras humanas, sendo levado a matar, realizar massacres e crimes abomináveis, tudo isso em prol de contribuir para os estudos dos malakins (anjos que têm a “missão de estudar o universo e a humanidade. Reclusos podem moldar o tempo e o espaço”).

Não pense que, em “Anjos da Morte”, você verá um Denyel aos moldes de um herói convencional. Mas, mesmo assim, ele ainda é meu personagem favorito. Ler mais sobre Denyel, um anjo complexo, e entender de onde vieram todos os vícios e traços que muito se assemelham aos humanos foi uma experiência bem interessante. O enredo tem ainda algumas críticas políticas, com pontos sobre economia e nos apresenta personagens mortais tão interessantes quanto muitos personagens angélicos. Ao longo da história, acompanhamos os conflitos internos e externos de Denyel, que ao vivenciar e participar de toda aquela barbárie se torna mais “humano”, o que para um anjo não deve ser legal, não é mesmo?

Anjos da Morte é narrado em dois tempos: presente e passado. As aventuras de Denyel como anjo da morte é narrada no passado. Já nos tempos atuais, temos a volta de Kaira e Urakin (que conhecemos muito bem em “Herdeiros de Atlântida”). Ambos estão em uma missão em busca de Denyel que desapareceu no rio Oceanus após a batalha na fortaleza de Athea, já no fim do primeiro livro da trilogia.

Não posso deixar de destacar que “Anjos da Morte” nos brinda com glossário, linha do tempo e outras informações para não te deixar nem um pouco perdido na história. E, a novidade mais incrível: ao final, tem ainda uma lista de reprodução com as músicas citadas ao longo do livro. Além disso, Spohr deixou um comentário sobre cada uma das canções. É ou não é um autor que se preocupa com o total entendimento do leitor?

Eduardo Spohr é a nosso escritor do mês de janeiro.

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