Não é o filme de terror. Talvez, seus medos hoje sejam outros

Depois de muita insistência, que partia de todos os lados, resolvi assistir ao filme de terror “Invocação do Mal”. Sim, nunca havia cogitado a hipótese de assisti-lo. Meu medo de filmes de terror se sobressaia às muitas críticas positivas recebidas pelo longa. Um medo que carregava desde a infância, algo como uma parede invisível e intransponível.

Não me lembrava muito bem qual era a sensação de estar em frente à TV esperando que algo de muito ruim acontecesse àqueles personagens. Fantasmas, espíritos, demônios e assuntos derivados nunca foram meus temas favoritos na hora de escolher uma produção cinematográfica. Entrei numa zona de conforto, local onde estava tudo bem sem filmes de terror.

No auge dos meus 24 anos, terminei de assistir ao filme e estava bem. Simplesmente bem! Sem aquele medo de ir ao banheiro sozinha ou apagar a luz para dormir. Talvez, meus medos hoje sejam outros. Meu medo do terror foi substituído por medos mais concretos, inerentes a vida adulta.

Quando se é adulto, filmes de terror não são tão assustadores quanto as contas que chegam no fim de cada mês ou quanto ao medo do desemprego em plena crise econômica. Tem também aqueles medos que na infância nos eram poupados, tem o medo da perda, o medo de não dar certo na vida e o maior deles: o medo de decepcionar.  Não me refiro a decepcionar os outros, não dá para viver pensando em agradar todo mundo. O medo é aquele de se decepcionar, de não ser o que você sempre quis ser, de não alcançar objetivos, o medo de falhar.

Acho que esse é o grande terror da vida do jovem: um mundo inteiro tentando “esmagá-lo”. Tem a faculdade, tem o curso de inglês, tem as redes sociais, tem o esforço para se encontrar com os amigos, tem a tia chata perguntando cadê o namorado (a), tem, tem e tem…. Cada dia tem uma coisa nova. Tem tudo isso e muito mais que gira diariamente na cabeça e que, muitas vezes, não nos deixa em paz nem na hora de dormir.

Nesse contexto, não raro, vêm a vontade de não sair da cama, a ansiedade que dá uma fome (ou tira ela por completo), os medicamentos e os comentários de que o que falta na sua vida é Deus. Sim, as pessoas querem ajudar, mas o problema é não saber como ajudar. E esse “não saber” pode atrapalhar ainda mais.

Nossa… consegui transformar um texto sobre um filme de terror em algo bastante depressivo. Mas o objetivo era mostrar como os medos das crianças são inocentes. Hoje, eu olho debaixo da cama sem medo do bicho papão, mas não saio com os amigos com medo da fatura do cartão de crédito. A vida adulta nos torna mais covardes e cabe a nós o esforço de sermos fortes, de seguramos essa onda de novidades que surgem diariamente e de não deixar que ela nos derrube.   

Não sou nenhuma especialista no assunto, mas acredito que ser otimista e entender que as coisas têm um caminho próprio, que nem tudo depende de nós e que não adianta se martirizar por algo não estar de acordo com que esperava vale muito a pena. Confiar na sua capacidade é um bom conselho (mas, é aquele ditado: se conselho fosse bom, a gente não dava. A gente vendia).

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