Epifania

Por: Natália Cristina
 
Naquela manhã de 1991, ela acordou pensando nele.

Colocou aquele vinil dos Smiths, o preferido dela, e no café da manhã tomando uma bebida quente de leite e morango. Ela viu que estava se sentindo só.

Era início de outono, sua estação preferida; céu azul, um sol nem quente e nem frio, e um vento bom não muito forte, mas forte o suficiente que logo quando ela botou o pé direito pra fora de casa calçando um All Star sujo e o vento lhe bateu no rosto, como um bofetão, ela percebeu que estava sentindo falta de alguém que nunca havia visto e de um amor que nunca existiu.

Ela estava sentindo falta de alguém que só ocupou um espaço. Um espaço que depois ficou vazio e nada mais que isso.

O All Star que já estava sujo, ficou mais sujo ainda, pois naquele dia ela andou e andou muito, mas não para procurá-lo e sim para se encontrar.

Sentiu a endorfina lhe aliviando o cérebro e quando voltou para casa, percebeu que estava feliz e tranquila com os seus vinis e sua vitrola; deitou no chão da sala, um chão de taco bem encerado, pois ela sempre limpava a casa impecavelmente e ao som de “Enjoy The Silence” do Depeche Mode viu que tinha aquilo tudo ali só para ela, e que não era com qualquer um que ela iria compartilhar.
 
Não era qualquer um que iria romper aquele silêncio.

 

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