Boneco de Pano: Um corpo. Seis vítimas.

“Diz aí: se você é o Diabo, então eu sou o quê?”

Talvez, o pequeno subtítulo não descreva a engenhosidade dessa obra. Talvez, ao ler apenas as seis palavras acima você não consiga ligar a complexidade dos casos de assassinato provocados pelo serial killer que transforma a vida rotineira de Londres em um verdadeiro caos. Assim é “Boneco de Pano”, livro de estreia de Daniel Cole, 33 anos. O jovem autor já foi paramédico, Guarda da Costeira Real e Oficial da Real Sociedade Protetora dos Animais. Mas, acima de tudo, o cara é um gênio!

Quando li o livro e fui escrever essa resenha, a primeira coisa que pensei foi: “preciso dizer que esse livro tem que virar filme”, isso porque sua narrativa remete a elementos que são utilizados em roteiros para o cinema.  Eis a minha surpresa! O livro foi originalmente concebido a partir de um roteiro piloto para uma série de tv.

Sabe o que chama a atenção? Se você ainda não leu, ou se já leu o romance, a história chama atenção, assim como o filme ‘Seven: os sete crimes capitais’  – que se você ainda não viu, não perca seu tempo.  Faço essa comparação por causa do roteiro ágil, mortes surpreendentes e uma história sensacional. Imagine um serial killer que mata as suas vítimas baseando-se nos pecados capitais?!

Se lá, no filme isso já foi uma grata surpresa, em “Boneco de Pano”, o assassino mata seis pessoas, cria um boneco com partes do corpo das vítimas e entrega para uma jornalista outra lista com as próximas seis vítimas, marcando o dia da morte de cada uma. Mas, por que ele mata? Qual a relação entre as mortes? E quem é o assassino? São diversas as perguntas, mas com certeza não serão só essas que você vai fazer ao longo da leitura.

 

A história se passa em Londres e traz como personagens principais o detetive William Oliver Layton-Fawkes, também conhecido como Wolf (Lobo). Sim, temos aqui a junção das primeiras letras do nome do detetive. Outros personagens complexos e dúbios são apresentados na história, como: a detetive Emily Baxter, o estagiário Alex Edmunds, a jornalista e ex-mulher de Wolf, Adrea, entre outros.

Três questões chamam atenção na história: até que ponto a justiça deixa de ser justiça e passa a ser vingança? Qual o limite da loucura das pessoas, como a engenhosidade do assassino, por exemplo. E a que mais me chamou atenção: qual o papel da imprensa nisso tudo? A cobertura realizada pelas TVs neste caso deixa qualquer programa sensacionalista no chinelo.

Surpreende a ação da imprensa na história, como ela teatraliza os fatos, chegando a utilizar um mórbido relógio da morte em sua cobertura e como seu papel mexe com as pessoas. Algo tão real que é impossível não associar com casos de coberturas de tragédias que já vimos por aqui.

Se você vai ler “Boneco de Pano” prepare-se: vai correr as páginas sem perceber, de tão eletrizante que é a história. O livro é um banquete para amantes do gênero. Daniel Cole, estreou no mundo da literatura no topo. Que venham as próximas obras!

Daniel Cole fala sobre a criação do livro

 

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