Bienal do Livro de São Paulo

A grandiosidade da Bienal do Livro de São Paulo em números

25º Bienal do Livro de São Paulo recebeu cerca de 663 mil pessoas durante 10 dias de programação

Circular pelos corredores da Bienal do Livro de São Paulo no último final de semana da feira (11 e 12 de agosto) foi um desafio prazeroso e ao mesmo tempo assustador. Ver os 75 mil m² de área do pavilhão do Anhembi completamente tomado pelos amantes da literatura dá prazer e esperança em um futuro com mais leitores.

A grandiosidade do evento literário contraria qualquer pesquisa ou estatística sobre os dados da leitura no país. Nos 10 dias de evento, em 1.500 horas de programação, a Bienal do Livro de São Paulo, registrou a presença de 663 mil pessoas, sendo 100 mil alunos. Gente do Brasil inteiro circulou pelos corredores do pavilhão da Bienal, enfrentaram longas viagens, pelo simples prazer de prestigiar o evento. Como é caso da bibliotecária Suellen Souza Gonçalves, 29 anos, moradora de Castanha no Pará.  

“Sai do Pará, só para curtir a Bienal de SP. Eu já tinha ido em 2016 e me apaixonei, porque no Pará tem uma feira do livro, mas é bem pequena perto da de SP. O que mais gostei foi o cuidado das editoras que estavam presentes em criar um local agradável e ambientes bons para fotos e divulgação dos livros lançamentos, além do fácil acesso aos autores nacionais.”

A nossa equipe esteve no evento nos dias 11 e 12 de agosto. O vídeo abaixo dá uma pequena dimensão da lotação do evento.  

Muita gente reunida é sinônimo de filas. Especialmente no sábado, elas dominaram todos os espaços. Demoradas e imensas, desde a entrada ao banheiro, tirar de fotos e bate-papo com autores. Filas que no dia a dia são infinitamente menores que as que dispensamos nas Casas Lotéricas para pagar uma conta importante. Não que isso seja ruim, pelo contrário, a organização nesse sentido esteve impecável, entretanto as enormes filas, dificultaram a circulação pelos estandes e ruas do evento.

O destaque de toda essa imensidão de filas, foram os estandes temáticos montados pelas editoras para fotos dos leitores. Ao todo 197 expositores participaram da Bienal 2018, e alguns deles capricharam nos espaços interativos e na distribuição de brindes.

Emília Carolina Nery de Lima Vicente
Bárbara Andrade

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Neste quesito, o estande da Gráfica Pólen foi sem dúvida o mais disputado. Em uma grande sacada marketing, apresentou sua marca aos leitores despercebidos, que assim como eu, se quer prestam atenção na qualidade do papel, montando um estande que oferecia vários cenários interativos e para foto e descanso.

Destaque para dois deles: No primeiro, o leitor escolhia cartazes com frases, tirava foto e se postasse nas redes sociais, naquele instante com a #maisprazeremler ganharia um bloquinho de notas, com a qualidade do papel da marca. O segundo cenário, um espaço que simula o ambiente literário ideal dos leitores, com direito a livros flutuantes, almofadas, canetas e uma cadeira confortável. Tirar foto neste ambiente foi questão de honra para os visitantes.  

Suellen Souza Gonçalves
Mariana Gonçalves de Oliveira
Nicole Linhares
Elis Souza

 

 

 

 

 

 

 

 

 

As apoiadoras do evento não economizaram e trouxeram mega estandes.  As lojas Americanas, apoiadora cultural, preparou um estande 250 m², trazendo além de livros, diversos itens de conveniência, games, artigos de papelaria, e a cabine de realidade virtual do filme “Jogador Nº1”, que fizemos comparativo do livro e do filme aqui.

Com estande nas mesmas proporções, o Submarino patrocinador e-commerce do evento, além da já tradicional venda de livros, promoveu ainda uma campanha de doação de livros usados em seu estande, e uma extensa agenda de entrevistas, bate-papos e sessões de autógrafos com autores e influenciadores literários.

 

Estande da Lojas Americanas na Bienal Internacional do Livro de São Paulo (Crédito: Paulo Matheus)

 

Fotos do estande do Submarino na Bienal Internacional do LIvro de São Paulo (Crédito: Samuel Chi Young Kim)

Apesar da quantidade de expositores, infinitamente maior que na Bienal de Minas, por exemplo, várias ausências de editoras e livrarias grandes, como a Leitura, foram sentidas. Pelo menos não foram vistas no último final de semana do evento, como afirma Suellen Souza. “Senti falta de várias editoras grandes, como Saraiva e Cultura, além de mais senha para os autores internacionais”.

A ausência de mais estandes focados em literatura nacional também não passou despercebida. Embora, no top 20 dos livros mais vendidos em 2018, segundo o Publishnews, apareçam 8 nacionais, as referências, sobretudo aos clássicos, estiveram ausentes nos principais estandes, como conta a advogada Mariana Gonçalves de Oliveira Costa, 34 anos.

“Confesso que a Bienal deste ano me frustrou muito por não ter sido reservado um espaço para a literatura nacional! O que inclusive deveria ser obrigatório em todas as Bienais. Se não me engano, havia apenas uma referência a autora “Cecilia Meireles”, feito pela “Global Editora”, mas fora isto, senti que estava órfã. Ouso dizer que o estande reservado para a literatura de Cordel também andou muito vazio. Tinha recebido a encomenda de trazer para BH uma obra do autor maranhense Josué Montello, mas incrivelmente não a encontrei. Mesmo dispondo de tempo para procurá-la (passei dois dias na Bienal).”

O público ficou abaixo do esperado pela Câmara Brasileira do Livro, uma das organizadoras, que previa 700 mil pessoas. No entanto, o ticket médio individual, ou seja, o gasto médio por pessoa foi de R$161,57, um aumento de 33% em relação a edição de 2016. E os leitores mineiros, que saíram de BH especialmente para curtir a Bienal de São Paulo, comprovam esses dados. Voltaram com as malas repletas de livros.

“Não tinha a pretensão de comprar nada. Meu orçamento não me permitia, mas enlouqueci com os diversos stands de livros a R$ 10,00 e aproveitei para encontrar obras que me interessam e confesso que acabei trazendo para casa 47 livros, dentre autores conhecidos e novos, além de encontram obras de autores consagrados como Javier Moro, Jane Austen e Maria Duenas.” , conta Mariana Gonçalves de Oliveira Costa.

A estagiária, Nicole Linhares, 20 anos,  também voltou pra casa com novas leituras para iniciar, especificamente 33 livros.

“A expectativa era só comprar livros que estavam na minha lista, mas cheguei lá vi os preços dos livros da minha lista e resolvi não seguir a lista. Mas comprei muitos outros livros bons na promoção.”

Se os livros estavam baratos, não dá pra dizer o mesmo da comida. Além das já citadas filas imensas, os preços de vários produtos estavam inflacionados. Um picolé de frutas simples estava sendo vendido a R$ 8,00,  uma garrafinha de água com o menor preço encontrado por R$ 6,00 , estavam mais caros que a estrela da festa, os livros, cujos preços, a partir de R$ 5,00 e grandes clássicos como os da escritora Jane Austen, a partir de R$ 10,00.

Mesmo com vários livros a preço de internet, ou seja sem apresentar descontos tão atrativos, algumas editoras, conseguiram registrar lucro e superar as vendas da edição anterior em 2018. Segundo site Publishnews, a editora Intrínseca cravou a venda de 40 mil exemplares durante o evento, registrando um faturamento 55% maior do que na edição passada. A Sextante, registrou um crescimento de 50%. A editora Melhoramentos apurou 40% no crescimento das vendas. A V&R fez um balanço positivo de 27%, a Autêntica de 20%, enquanto a Record registrou um aumento de 10% no faturamento.

A Bienal do Livro de São Paulo é um momento importante para autores nacionais e internacionais apresentarem seu trabalho. A efetividade de estar frente a frente com seu público alvo, levou à Bienal 2018, 291 autores nacionais e 22 autores internacionais.

Nos 14 espaços culturais, os autores se dividiram na missão de bater-papo com os leitores, apresentar os lançamentos e autografar seus livros. Em uma tentativa de agilizar os encontros e evitar as filas, a organização da Bienal distribuiu as senhas das atrações principais pela internet, antecipadamente, provocando lentidões absurdas no acesso, e até mesmo a queda do site. Para alguns casos, como a americana Victoria Aveyard, autora da série best seller “A Rainha Vermelha”,  foram abertas sessões extras, que também se esgotaram rapidamente. 

Uma das atrações da Bienal, a escritora americana Marissa Meyer, autora da série “Crônicas Lunares”,que também teve suas senhas esgotadas em poucos minutos, participou de eventos promovidos pela editora Rocco, fora da Bienal. O LiteralMente participou de um chá com autora. 

A oportunidade do contato direto com o leitor é celebrada por autores independentes, como é o caso do mineiro Willer Jones, autor do e-book “Legados de Lyraeh” disponível para download aqui

Willer Jones

 

“Eventos literários dos mais diversos são muito importantes para o autor independente. São eles que possibilitam o contato não somente com as casas editoriais (tanto brasileiras, quanto estrangeiras – é o caso da Chiado, por exemplo, que participou da Bienal desse ano), e o principal: o contato com o público leitor. São esses eventos que abrem as portas para todo tipo de interação: profissional, de afeto com a história, de contato com o seus autores preferidos. Faz também que conheçamos outros autores da cena, troquemos experiências, dicas de criação… É um terreno muito fértil! Como essa foi minha primeira experiência em um evento tão grande quanto a Bienal Internacional, como autor, foi de muito crescimento sem dúvidas!”

 

A oportunidade de participar da Bienal também foi celebrada pelo Emirado Unido de Sharjah, homenageado desta edição, que não poupou esforços, até o xeique Al Qasimi participou do evento. Com uma comissão de aproximadamente 150 representantes, o país homenageado ocupou 600m² do pavilhão. 

Para a Bienal do Livro de São Paulo, foram investidos cerca de R$ 32 milhões, apesar das filas,  da superlotação e dos preços dos alimentos. Os leitores, sobretudo os de Belo Horizonte, saíram satisfeitos com o evento.

“Nesses dois dias que lá estive pude ver a quantidade de gente que o evento atrai, e como as pessoas se interessam por ter livros, por ler e por conversar sobre isso. Um evento desta proporção conecta pessoas, mundos… é um incentivo fantástico.  A expectativa foi completamente atendida.” Emília Carolina Nery de Lima Vicente, 34 anos, psicóloga.

“Acredito que o evento superou as expectativas justamente por levantar a bandeira da diversidade literária, fiquei impressionada com o tanto de editora e profissionais do livro que existem. Nem sempre o leitor tem a dimensão disso tudo ainda mais quando você descobre alguns valores que giram nesse mercado. Minha nota é 10!”. Nicole Linhares, 20 anos, estagiária.

“Gosto de eventos literários, em todos os sentidos. Faço questão de prestigiar, pra incentivar a ter sempre mais e mais investimento, sobretudo na nossa cidade. A Bienal de São Paulo é um evento que mostra que vale a pena investir em literatura. As pessoas no geral compram a ideia e isso é bom para as editoras, livrarias, leitores, escritores, comércio de mimos sobre literatura, blogs e sites, tudo o que envolve a literatura só tem a ganhar. Elis Souza, 35 anos, jornalista.

Fábio Pereira de Sousa

 

“A expectativa era muito grande, mas tudo muito cheio e muitas filas. Mas no geral atingiu o objetivo que é os leitores e divulgação literária. Sempre penso em ajudar pessoas e divulgar coisas que contribua como bem da sociedade.” Fábio Pereira de Sousa, 43 anos, auxiliar de serviços administrativos.

“A experiência foi boa. O evento é essencial para o aumento e divulgação da leitura para a sociedade. A leitura é essencial para nosso corpo e alma. É libertadora, pois alimenta nosso senso crítico.” Suellen Souza Gonçalves,  29 anos, bibliotecária.

 

A Bienal do Livro de São Paulo é um evento que prova que vale a pena investir em literatura, já caiu no gosto popular e não pode deixar de ser realizado, como ocorreu este ano em BH. Já mostramos aqui diversas iniciativas de incentivo à leitura, que ganham cada vez mais adesão. Eventos como este além de promover a literatura, a cultura e a educação, sela um compromisso com os leitores e renova a paixão pela leitura. 

Em tempos de internet e escassez de relações pessoais. A Bienal proporciona e valoriza o contato. Contato real com quem lê, quem escreve, quem edita e publica. A literatura é uma arte que transforma vidas! Participar da Bienal é compartilhar e ampliar experiências, conhecimento adquiridos e eternizados nos livros. 

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